terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reflexões

Talvez seja no exato momento em que tocamos no futuro que ele perece, ao tornar-se presente e deixar de ser futuro. E se é assim, então o futuro é algo inatingível, pois uma vez que o alcançamos, torna-se presente, e logo em seguida passado...

Há algo muito além de nossa percepção entre presente, futuro e o próprio passado. Mas o passado é algo que está num cômodo diferente em relação a nós, pois ele é o único imutável, uma vez que não se pode voltar, fisicamente, ao passado...(pelo menos por enquanto!)

Nossa percepção é individual, é única, assim como nossas sensações de futuro e de presente. Quantas vezes ao sonhar conseguimos visualizar o futuro, mas o futuro, tal qual um animal selvagem, se esquiva diante de qualquer aproximação?! E mesmo acordados, quantas vezes já podemos ter nos confrontado com o futuro num lampejo de idéia, numa imagem borrada, numa visão que surge ao acaso, quem poderia saber disso?!

Por vezes podemos sentir um dejá vu, pensar que aquele momento, aquela sensação, já foi antes vivenciada da mesma forma que naquele momento se apresenta. A ciência, mãe dos descrentes e que sobrevive da própria incerteza, atribui o dejá vù a um erro, uma falha no cérebro, onde o que está se vivendo é lançado diretamente na memória de longo prazo, ao invés de ficar na memória recente, assim, continuamos com nosso “contador” de tempo no presente enquanto a situação está no compartimento do passado. É uma explicação razoável para muitos casos, mas será esta a única opção?

Penso que um dejá vù pode ser mais do que um erro do cérebro, pode ser um túnel, uma conexão, um elo de ligação entre o passado e o presente, da mesma forma que algumas pessoas têm o dom de predizer o que irá acontecer. Estas pessoas, os profetas, conseguem de alguma forma ver o futuro como se ele fosse o presente...conseguem encontrar esta ligação entre presente e futuro. E para mim, encontrar esta ligação de forma visual, auditiva, ou numa sinestesia generalizada, é como encontrar uma única flor branca em meio a um imenso campo florido. É algo raro, mas perfeitamente possível!

Mas talvez sejam inúmeras as vezes que, pessoas comuns como a maioria de nós, conseguem ver o futuro, seja dormindo ou acordado, mas não conseguem lembrar ao acordar, ou não dão valor a estas visões, ou ainda, o futuro, incerto como é, acaba por alterar-se numa velocidade maior do que podemos perceber. E, uma pequena modificação aqui, nesse instante, pode gerar uma mega modificação ali adiante, dentro do que chamamos “efeito borboleta”.

Então, o que nos resta é viver o presente, mas sem nos esquecer de que há um sentindo de transformação, de mudança constante na vida, no universo...tudo, absolutamente tudo, caminha em direção a busca do equilíbrio! E às vezes o equilíbrio só consegue surgir a partir do caos, isso é algo que devemos ter em mente sempre, para não desanimar diante dos problemas...pois, “da desordem surge uma nova ordem”...

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