Há uma estrada seguindo em frente, mas só conseguimos ver até a próxima curva.
Chegando lá, surpresa! Algo novo, inesperado, um susto...
E continua-se andando, seguindo a estrada. Volta e meia surgem bifurcações, escolhe-se um caminho e segue-se em frente.
Parar? Retornar? Não faz muito sentido, melhor continuar esperando que se encontre melhores dias.
Estou cansada...
Aproveitar o dia?! Que dia? O dia de hoje? Solitário e chuvoso?
Um dia frio...um frio que penetra em minha alma, me tira do meu caminho, me joga de cara no chão!
Às vezes nem as miseráveis lágrimas me encontram, é só dor, é um vazio imenso, uma angústia infernal!
A saudade vem pra que? Vem me lembrar de momentos bons...mas pra que isso? Pra me fazer ter esperanças, ter forças de seguir em frente e esperar por novos dias assim?! Não! Hoje a saudade vem pra me fazer sentir um nada, exatamente como este dia, um dia em branco, mais um...
Sol, chuva, nuvens...que importa isso tudo hoje?! O que somos nós afinal??
Enganamo-nos, queremos (eu quero) acreditar num mundo bom, numa vida bonita, numa humanidade verdadeira...mas será isso mesmo? Ou apenas escondemos as coisas de nós, nos fazendo acreditar em fantasias, em sonhos...mantemo-nos pelas doces lembranças...esquecemos as tristezas...mentimos pra nós para esconder a realidade suja. Sufocamos o monstro em nós, queremos dar asas ao belo, queremos ser anjos de luz, queremos flutuar sobre as flores, ir para o céu...
Hoje não existe céu, não existe paz, apenas o monstro. Dane-se!
Estou cansada demais para medir qualquer palavra, não sinto pena dessa humanidade podre, onde poucos, pouquíssimos se salvam! Eu me salvo?! Não! Sou também a parte que mata, que fere, que maltrata! Não se justifica...
Sinto vergonha por todos aqueles que plantados nas salas de suas casas sequer lembram-se do nome do vizinho...sinto vergonha por todos que gastam seu dinheiro com besteiras inventadas apenas para estragar a saúde...sinto vergonha pela estupidez que existe em cada ser humano, pela falta de visão e de coragem de mudar...sinto vergonha pelos que tem medo de tentar, que passam a vida sem nunca tomar uma atitude para sair da merda onde se encontram...sinto vergonha porque o ser humano acredita mesmo que é quase um deus, mas esse deus que acreditamos ser é apenas o nosso monstro, o mostro dentro de cada um...
...e sinto vergonha de mim, por ser assim também.
Escolher as palavras melhor?! Dane-se novamente!
Sou tomada por um misterioso instinto de escrever ao estilo "auto-ajuda". Mas então hoje resolvi sair deste clichê no qual sem querer fui penetrando.
Mas ok...escolho agora uma palavra bem de acordo com meu estado de espírito hoje: kumori! ...mas entre nuvens negras...
Podem fechar as cortinas, no silêncio e sem aplausos, o artista nasce e morre no palco.
Na saída do teatro ninguém lembra o nome da peça, mas eu lembro, ela se chama: vida!
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