segunda-feira, 10 de maio de 2010

Réquiem

Nasci de madrugada, na escuridão e de olhos fechados...
Morri ao meio dia, sol a pino, claridade tamanha que cegava...
Vivi entre os dois extremos, entre claros e escuros, entre luzes e a falta dela.
Vivi entre vivos e mortos, entre o frio cortante e o calor sufocante, uma vida de dores infernais e prazeres celestiais!
Encontrei o amor em tudo que criei, do poema mais intenso à piada mais infame...um amor que era entrega, que era dedicação, o suor de minha face, as lágrimas de meus olhos, os sorrisos de meus lábios...solitário e melancólico, alegre e compreensivo...
Encontrei mais do que isso, encontrei uma sepultura lacrada, uma tumba vazia.
E de quem era esta tumba? Ela é minha, sim, a me esperar...
Mas hoje dou risadas para a morte, eu a vejo como uma criança pequenina, com a mesma face que a minha! Me espere pequena criança, espere bastante, pois não estou com pressa...eu caminho livre, paro e observo, sigo sem me importar com ela!

Eu respiro um ar rarefeito, e transpiro a coragem de seguir em frente. O ar se acaba mas não me importo, continuo prendendo a respiração até o fim. Lá no alto da montanha, quase pude tocar o céu!! Sim, a imensidão agora era toda minha, a minha volta tudo era branco, toda a dor sepultada juntamente com o medo que sentia...ali, naquele momento tudo vinha de encontro a mim. Naquele pequeno espaço de tempo, enquanto prendia o ar em meus pulmões eu podia sentir toda a vida percorrer-me, dos pés aos cabelos, cada gota de vida nutrindo minha alma! E então,
quando não pude mais segurar o ar, comecei a soltá-lo lentamente, minhas mãos tocando o nada e eu sentindo tudo a minha volta! O vento cortava-me a face, levava consigo todo pesar...e enquanto esvaziava os pulmões decidi não me despedir de nada...afinal, quem sabe realmente quando chega o fim?!

Eu canto um réquiem inacabado...

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